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Perfumes

O que muda quando uma marca de roupa resolve fazer perfume

01 set 2026 3 min de leitura

Boa parte dos perfumes masculinos que você encontra na perfumaria não vem de
uma casa de perfume. Vem de uma marca de sapato, de bolsa ou de roupa que
licenciou o próprio nome para um grupo especializado fabricar e distribuir a
fragrância.

Isso não torna o perfume pior. Mas cria um problema específico, e dá para
ver como cada marca resolve.

O problema: o perfume precisa parecer com a marca

Uma casa de perfumaria tradicional pode lançar o que quiser — o produto
responde só por si mesmo. Uma grife de moda, não: o perfume precisa fazer
sentido para quem já compra os sapatos, precisa caber na estética da vitrine e
não pode contradizer a imagem construída em outra categoria.

O resultado costuma ser fragrâncias mais seguras. E também, às vezes,
soluções criativas que uma casa de perfume não teria motivo para tentar.

A britânica que apostou numa fruta improvável

Jimmy Choo Man
tinha um desafio extra: a marca era conhecida por sapatos femininos de salto.
O primeiro masculino precisava soar masculino sem romper com a identidade da
casa.

A saída foi o melão — uma nota suculenta, quase feminina em outros
contextos, ancorada em lavanda e camurça. Deu certo justamente por não tentar
provar nada com madeiras pesadas.

A italiana que partiu de uma sobremesa

Uomo Salvatore
Ferragamo
nasceu de um briefing improvável: traduzir tiramisù em
perfume. Poderia ter virado um gourmand enjoativo.

Virou o contrário. Cardamomo, tonka e madeira cashmere sugerem a ideia de
sobremesa sem nunca chegar lá — um perfume que dá para usar em reunião. É a
prova de que um conceito de marketing bem executado não atrapalha o produto.

A italiana que preferiu não chamar atenção

Trussardi Riflesso
seguiu a rota mais discreta das três. Maçã verde na abertura, couro na base,
nada que provoque reação forte.

É perfumaria bem-feita e sem ambição de virar assunto. No Brasil, onde a
marca é pouco conhecida, isso se traduz em preço mais acessível do que a
qualidade sugere.

Como avaliar um perfume de grife

Ignore o nome na caixa e cheire o produto. Marca de moda famosa não garante
fragrância boa, e marca de moda pouco conhecida não indica o contrário — o
Riflesso é exemplo disso.

O que costuma valer a pena observar é se a fragrância tem alguma decisão
própria, como o melão do Jimmy Choo, ou se é apenas uma composição genérica com
um logo caro na frente. A segunda categoria existe em quantidade, e é ela que
some do catálogo em dois anos.